Dolly Parton morreu nesta terça-feira (25), aos 80 anos, deixando uma carreira de sete décadas marcada por sucessos como “Jolene” e “I Will Always Love You”, além de trabalhos no cinema, na televisão e no empreendedorismo.
A morte da cantora country - que também era madrinha de Miley Cyrus - foi confirmada pela família, por meio de um comunicado divulgado nas redes sociais, e também repercutida por veículos como a Variety. A causa da morte não foi informada oficialmente.
Meses antes de completar 80 anos, porém, Parton havia falado justamente sobre envelhecimento, longevidade e os planos que ainda tinha pela frente. Em entrevista exclusiva à revista People, publicada em novembro do ano passado, quando tinha 79 anos, a artista rejeitou a ideia de encarar a idade como um limite.
“As pessoas dizem: ‘Bem, você vai fazer 80 anos.’ E daí? Veja tudo o que eu fiz em 80 anos. Sinto que estou apenas começando”, declarou. Na conversa com o jornalista Jeff Nelson, realizada durante o período de divulgação de seu livro "Star of the Show: My Life on Stage", Dolly foi questionada sobre a chegada da nova década. Em vez de falar em aposentadoria, ela ressaltou o quanto ainda queria produzir e experimentar.
“Não tenho tempo para envelhecer!”, afirmou. “Não tenho tempo para ficar pensando nisso. Não é nisso que estou pensando".
A cantora também resumiu sua visão sobre o envelhecimento de maneira direta: “Se você se permitir envelhecer, você envelhecerá”. A declaração não foi apresentada por Dolly como uma fórmula médica para viver mais, mas revela a maneira como ela própria escolheu lidar com a passagem do tempo: mantendo-se ocupada, criando novos projetos e concentrada naquilo que ainda queria realizar!
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A disposição para continuar ativa aparecia em diferentes momentos da entrevista. Ao relembrar sua trajetória, Dolly contou que passou a vida em um ritmo acelerado e que, ao escrever "Star of the Show", percebeu a dimensão dos sacrifícios feitos para construir a carreira que desejava. “Sabe, eu vivi em um ritmo tão acelerado a vida toda”, afirmou. “E começo a pensar: ‘Como é que eu consegui ter uma vida? Como eu dei conta de tudo isso?’”.
Ainda assim, não demonstrava arrependimento pela escolha profissional. A artista dizia ser grata por ter visto seus sonhos se tornarem realidade e destacava que nunca teve filhos, o que fazia com que não carregasse culpa pelos sacrifícios pessoais envolvidos em sua trajetória.
A ideia de continuar trabalhando também fazia parte de sua relação com a própria identidade. Dolly afirmou que não tentava superar outras pessoas, mas queria ser “a melhor versão” de si mesma e melhorar todos os dias.
Em outro trecho, resumiu a maneira como se enxergava apesar da fama mundial: “Sou uma estrela para todos, menos para mim. Sou apenas uma trabalhadora".
A imagem da artista como uma profissional incansável combina com uma carreira que nunca ficou restrita à música. Além de cantora e compositora, Parton construiu um império que incluiu o parque Dollywood, projetos de televisão e streaming, fragrâncias, alimentos e produtos para cozinha. Ela acumulava, naquele momento, 11 Grammys, um Emmy, 25 músicas que chegaram ao primeiro lugar das paradas e mais de 100 milhões de álbuns vendidos.
Dolly também relembrou o início da carreira. Depois de se mudar para Nashville, ela se tornou parceira de Porter Wagoner em seu programa de televisão e passou a ganhar destaque como cantora country. Ao mesmo tempo, buscava consolidar seu próprio caminho.
“Eu sabia que tinha que continuar”, afirmou à People. “Eu não poderia ser a cantora do Porter para sempre, porque Deus tinha um propósito maior para mim, e eu tinha sonhos maiores".
Dolly enfrentou o sexismo da indústria musical enquanto construía uma carreira solo e, posteriormente, expandiu sua atuação para Hollywood. No cinema, estrelou produções como Como Eliminar Seu Chefe (1980) e Flores de Aço (1989), enquanto sua música continuava a alcançar públicos para além do country.
“Você precisa se adaptar às coisas e precisa se desapegar delas; foi assim que lidei com a minha carreira”, explicou. “Eu precisava experimentar coisas novas".
Essa disposição para mudar, segundo a própria artista, foi fundamental para sua trajetória. Em vez de tentar acompanhar o que os outros estavam fazendo, Dolly dizia preferir concentrar-se naquilo que acreditava precisar fazer.
“Cheguei a um ponto da minha vida em que só quero fazer coisas boas que possam ser perpetuadas. Tenho orgulho do meu legado até agora e espero continuar fazendo coisas que possam ser úteis para outras pessoas", concluiu.
A declaração sobre não ter “tempo para envelhecer” foi dada antes de uma sequência de problemas de saúde que alterou os planos de Dolly. Em 2025, ela adiou compromissos e apresentações depois de enfrentar problemas relacionados a uma infecção associada a pedras nos rins. A residência que faria em Las Vegas também acabou sendo remarcada para 2026.
Na época, a cantora chegou a se manifestar para tranquilizar os fãs depois que especulações sobre seu estado de saúde ganharam força. Em vídeo publicado nas redes sociais em outubro de 2025, afirmou que as pessoas estavam achando que ela estava mais doente do que realmente estava e reforçou: “Queria que vocês soubessem que não estou morrendo”.